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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Poema "Áporo" do Drummond:
assenta os três significados do grego, desde inseto, passando por "sem saída", até orquídea (Wikipédia). Pignatari: "o 'inseto' deste poema não é a palavra inseto, mas o vocábulo 'cava'. (...) O vocábulo-inseto 'cava' é que se move e adentra o poema como se este fosse terra."
Considerado exemplo de dialética, pois propõe tese (primeira estrofe), antítese (segunda e terceira) e síntese (quarta). Não é metrificado, mas contem algumas estrofes rimadas, denotando equilíbrio persistente. O Layout da edição Record de 1984 contribui visualmente ao texto; o poema é estruturado em dois quartetos e dois tercetos livres, tal um soneto contido; a última estrofe, que contém "orquídea", é posta ao topo doutra página, como se o poema crescesse junto à planta — solução drummondiana —, apesar de pequena.
14 de novembro de 2016.

"Áporo", Carlos Drummond de Andrade. 

Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.

Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:

em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se.